Zita Seabra no CJP II: uma tarde de reflexão sobre liberdade, verdade e memória

No passado dia 22 de maio, o Colégio João Paulo II recebeu a visita de Zita Seabra, no âmbito de duas iniciativas, promovidas pela disciplina de História e pelo XIII Ciclo de Conferências do colégio. A tarde ficou marcada por momentos de grande interesse cultural, histórico e humano, proporcionando à comunidade educativa uma oportunidade única de contacto com uma figura incontornável da vida política e intelectual portuguesa.

“Zita Seabra e o 25 de Abril: uma história de liberdade”

A primeira sessão decorreu às 16h e foi dirigida aos alunos do 6.º ano, sob o tema “Zita Seabra e o 25 de Abril: uma história de liberdade”, organizada e orientada pelos professores de História e Geografia de Portugal.

Ao longo da sessão, os alunos tiveram oportunidade de ouvir testemunhos e histórias da própria convidada sobre o período do Estado Novo, a Revolução de 25 de Abril de 1974 e as transformações políticas e sociais que marcaram Portugal no século XX. Com grande proximidade e clareza, Zita Seabra partilhou memórias pessoais, reflexões sobre a liberdade e episódios vividos durante a sua juventude e intervenção política, despertando enorme curiosidade e entusiasmo entre os alunos.

A participação dos estudantes revelou-se particularmente significativa. Muito atentos e interessados, colocaram diversas questões à convidada, demonstrando espírito crítico, curiosidade histórica e grande envolvimento ao longo de toda a atividade.

No final da sessão, os alunos homenagearam Zita Seabra através da declamação de um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, seguida da oferta de um ramo de cravos — símbolo maior da Revolução de Abril — e de uma lembrança comemorativa. O encerramento aconteceu num ambiente profundamente emotivo, com todos os presentes a cantarem “Grândola, Vila Morena”, canção emblemática da Revolução de 1974.

A sessão constituiu um enorme sucesso, marcado pela atenção, entusiasmo e participação dos alunos, muitos dos quais quiseram ainda cumprimentar a autora e conversar com ela no final da atividade.

Conferência para pais e professores: “João Paulo II e o fim do comunismo: a verdade contra o relativismo”

Mais tarde, pelas 18h45, teve lugar uma nova sessão, desta vez dirigida a pais, professores e restantes membros da comunidade educativa, integrada no XIII Ciclo de Conferências do colégio.

A sessão iniciou-se com uma apresentação da convidada e do tema pela professora de História, Maria Esteves, que destacou o percurso singular de Zita Seabra, desde a militância comunista ao liberalismo, bem como o seu papel na vida política, cultural e intelectual portuguesa. Na sua intervenção, sublinhou ainda a importância histórica de João Paulo II enquanto símbolo de resistência pacífica ao comunismo, defensor da dignidade humana e da liberdade individual.

Seguiu-se a conferência subordinada ao tema “João Paulo II e o fim do comunismo: a verdade contra o relativismo”. Ao longo da sua exposição, Zita Seabra refletiu sobre o papel histórico de João Paulo II no enfraquecimento do comunismo na Europa de Leste, a resistência espiritual dos povos submetidos aos regimes totalitários e a importância da verdade e da liberdade numa sociedade democrática.

Após a dissertação, a convidada respondeu às questões colocadas pela moderadora, abordando temas particularmente relevantes e atuais, como a incompatibilidade entre Catolicismo e comunismo, a chamada “crise da verdade” e o relativismo contemporâneo, os paralelismos entre o nazismo e o comunismo e o temor que os regimes comunistas manifestaram historicamente perante Deus e a religião.

A sessão revelou-se extremamente enriquecedora e despertou grande interesse junto da assistência, que acompanhou atentamente toda a conferência. Num ambiente de diálogo aberto e pensamento crítico, a comunidade educativa teve a oportunidade de aprofundar estas temáticas históricas, políticas e culturais, num momento de elevado valor formativo e intelectual.

A visita de Zita Seabra ao Colégio João Paulo II ficará certamente na memória de todos como uma tarde de partilha, pensamento e liberdade.