A origem do Universo

Neil Turok, o físico que desafia teoria do Big Bang e defende ideia de ‘universo espelho’ 

A notícia que escolhemos para esta edição do CNNs está relacionada com a teoria do Big Bang. Esta é uma teoria da Física que pretende explicar o surgimento do Universo. Foi apresentada pela primeira vez por Georges-Henri Lemâitre, um astrónomo e padre jesuíta, tendo sido desenvolvida, posteriormente, pelo físico russo George Gamov. 

De uma forma resumida, esta teoria afirma que o Universo se iniciou a partir de uma singularidade, ou seja, um ponto de tamanho infinitesimal cuja densidade se aproxima do infinito. 

No entanto, desde que foi postulada, esta teoria gerou grandes discussões dentro da comunidade científica, com diferentes físicos a apoiar ou a rejeitar a mesma. Nesta notícia, é apresentado o caso de Neil Turok, um físico que acredita que o Big Bang não ocorreu exatamente como se acredita, apresentando a sua versão da forma como o Universo surgiu. 

Universo espelho 

A teoria explicativa do Big Bang mais aceite defende que, inicialmente, toda a matéria e energia existentes estavam concentradas num ponto e que uma poderosa explosão fez com que tudo o que existia – o universo – se expandisse em milhares de milhões de vezes o seu tamanho original. Com isso, surgiram o tempo e o espaço como os conhecemos. 

Assim, à medida que se continuou a expandir e a arrefecer, o universo deixou de ser uma sopa densa e fervilhante de partículas e foram formados os aglomerados de matéria dos quais as estrelas e as galáxias são feitas. 

Desde então, de acordo com o modelo, o universo continuou a expandir-se e continuará a fazê- -lo até que um dia, daqui a milhões e milhões de anos, tudo esteja tão disperso que fará com que o universo se torne um espaço frio e inativo. De acordo com essa explicação, o tempo inevitavelmente avança e vemos sempre mais matéria do que antimatéria. 

Turok, no entanto, desafia essa visão. O problema, de acordo com a sua teoria, é que essa conceção do universo viola um princípio de simetria da mecânica quântica que diz que as leis da natureza permanecem invariáveis, mesmo sob transformações locais das coordenadas espaço-tempo. 

A proposta de Turok é que o Big Bang também deu origem a um “universo espelho”, onde governam as mesmas leis da física, mas ao contrário. É um “antiuniverso” onde o tempo corre para trás e a antimatéria é dominante. Desta forma, a simetria seria cumprida. Segundo Turok, embora pareça mais complexo, este mecanismo é uma explicação mais simples do que aconteceu nos primeiros momentos do universo. Por exemplo, elimina a possibilidade de que existam multiversos ou outras dimensões (que são hipóteses até agora não comprovadas, mas utilizadas para explicar vários fenómenos astronómicos). O modelo do universo espelho também oferece uma explicação para a matéria escura. 

A matéria comum, que podemos ver e tocar, constitui apenas cerca de 5% da matéria do universo. O resto corresponde a uma misteriosa matéria escura sobre a qual pouco se sabe — e que pode ser feita de uma partícula até hoje desconhecida. Turok, no entanto, diz que não é preciso pensar em novas partículas hipotéticas para explicar a matéria escura. 

A sua teoria argumenta que o Big Bang produziu um grande número de “neutrinos destros”, um tipo de partícula que ainda não foi observada, mas que os físicos acreditam existir e que poderão formar a matéria escura.

“Neste universo duplo gerado pelo Big Bang, é possível calcular quantos desses ‘neutrinos destros’ deveria haver no universo atual e esse número corresponde à quantidade de matéria escura que deve existir”, disse Turok. 

“Desta forma, chegamos à explicação mais simples para a matéria escura, que não requer nenhuma nova teoria.” 

Autoria: Gonçalo Roriz, nº 8; Gonçalo Francisco, nº 9; João Alves, nº 13, 12.ºC